Iniciando Arquitetura Literária
Gabriel Ethan Paz não apenas escreve — ele esculpe emoções em palavras. De Almada ao mundo, a sua jornada é um atlas de alma e memória, onde cada país visitado se converte em verso, conto ou romance que liberta o indizível. As suas obras não se leem: respiram, confessam, e redimem.
Os vocábulos deliram no papel, a mente folega mundo fora e os sentidos estão outorgados ao acaso. Daqui brotam construções gramaticais que almejam elucidar-me sobre desígnios. Podem ser apaziguadoras ou nefastas mas são puras e isentas. O intuito é libertar o poderio da minha voz calada e dos afetos abscônditos.
Gabriel Ethan Paz é o pseudónimo de um cidadão português, nascido na cidade de Almada, que fez carreira profissional na Industria Farmacêutica. Desempenhou várias funções de marketing e vendas antes de rumar à carreira internacional onde foi Diretor Geral numa empresa sediada no Caribe.
Licenciado em Gestão de Marketing pelo IPAM, com pós graduação obtida em Bruxelas em Marketing Estratégico, decidiu numa fase da sua vida mais recente não dar seguimento ao MBA, por cansaço académico e motivacional. Preferiu enveredar pela escrita de obras de diversos géneros literários e dedicar o seu tempo a hobbies que foram preteridos como a leitura e a música.
Entusiasta ebuliente da inteligência emocional, não tem receio em expor os seus sentimentos e emoções da forma mais nua e genuína. É apaixonado por animais, pela natureza e pela praia, tendo no mar a sua principal fonte de inspiração e serenidade. Não vive sem a música e o piano o instrumento musical de eleição.
Viajante pelos quatro continentes, deambulou por mais de 67 países e 128 cidades onde experimentou novas culturas e costumes que o converteram numa pessoa mais sábia, mais benévola e discernente do mundo que nos rodeia. E a sua viagem parece não ter ainda findado.
Mergulhe nos meus silêncios noturnos, onde a poesia expõe as fissuras da condição humana.
No beirado da casa latejava uma chuva miudinha. Como notas desatadas e atemorizadas, que não se fazem ouvir, apenas enfeitiçam a pauta desprezada numa gaveta qualquer. A saudade enlaçava o cálice embusteiro, do licor sem nome, que jazia imóvel. Da lareira uma chama enfurecida inundava de calor a sala, onde num sofá estrategicamente colocado, relaxo o esqueleto defesso desta vida de labor. Não sei que pensava nem o que podia almejar. Apenas divagava por espaços temporais sem nexo. Arrependia-me de uns inusitados caminhos e adumbrava um sorriso perante decisões mais congruentes.
É crucial perdermo-nos no tempo e no espaço, ponderarmos na vereda palmilhada e recalcada por passos tantas vezes dados sem razão, sem noção, sem ponderação. Um propósito de auto análise pestilenta que assessoria a correção de devaneios sorteados ao acaso. Que nada muda no passado mas inquire o futuro. Preciso de saber se fiz bem. Devo esse compromisso a mim próprio. O erro é humano mas eu não sou. Sou perfecionista e busco sempre o ponto mais garboso além-fronteiras. Não sei se valerá o sacrifício mas corre-me no sangue. E é esta fadiga que me consome. Me lapida a vontade e me furta o sono tranquilo.
Duvido das incertezas e questiono as verdades que não domino. Revolvo todo o cenário e atento cada detalhe na esperança que me certifiquem que sim, agi bem. Não quero anuências de humanos, que tantas vezes são disfarçadas de armadilhas para enredar. De elogios envenenados ou enfeitiçados por desejos mórbidos ou coibitivos. Quero abraçar a paz. Quero o conforto de uma mente serena com cada gesto, cada decisão. Divago, questiono e vou bebendo o tal licor que desconheço. Sabe a algo esquivo mas é doce. Vai alimentando a sede das respostas. O crepitar da lenha convida a aconchegar-me no sofá. Fico na horizontal sem perder a vista do fogo. Aquece o lugar, a alma e o corpo. No cálice é visível o fluir do líquido pelo vidro fazendo lembrar a chuva que persiste no beiral.
Invoco tudo nestas noites. O meu falecido pai, a minha irmã que habita no Altíssimo ou mesmo Deus lá no seu reino celestial. Não rogo por respostas apenas o discernimento certo. Preciso dessa certeza. Sim sou diferente. Não me contento em ser mais uma alucinada fotocópia de tantos outros sumptuosamente plantados na vida de alguém. Sou homem de virtude e de caracter. De liberdade e de paixão. De arrojo e luta sem senão. De humildade e amizade. De compaixão e ensinamento. Sou homem de trilhos complexos e ideias firmes. Nem melhor nem pior. Apenas eu. Com todas as dúvidas e certezas que me levam a noites esbanjadas num cenário esculpido pela necessidade de perfeição. A maior parte das vezes apaziguo sem dar conta. Durmo perdido nesta encruzilhada de emoções polvilhadas com uma dose prudente de ansiedade. Quase sempre desperto com as respostas que procuro. Como se viessem sorrateiramente empurradas pela brisa de um novo dia e se alojassem livremente na dormência do meu pernoitar. Esta é a forma. Estas são as noites. Este sou eu.
Faça-se luz.
Na negrura de tuas intrépidas palavras
Se melosas ou analogamente macabras
Na ambiguidade dos teus dúbios gestos
Dos passos com que singras e que são certos
Mas também dos que te infligem retrocesso
E são anelo de juízo profícuo ou adverso
Nas quimeras abscônditas e desprezadas
E nas usanças quais insanas cruzadas
Na efusão que cruelmente foi dilacerada
E sem ditame ergueu tal alma prostrada
Faça-se luz.
No açaimar dos sentimentos que calas
E desse temor que te emudece as falas
Do olhar túrbido focado em parte incerta
Pelo madracear numa vereda que é deserta
Nas pedras dispersas em nefasta direção
Que sem pudor te emantilha em solidão
E no vituperar de uma alma sem vontade
Alagada por eterna e mórbida saudade
Que reverte a vida para fábula deprimente
Onde figuras qual bonifrate decadente
Faça-se luz.
No abraço que almejas mas é foragido
Qual impostor que no plácito é fingido
E vai pungindo em sentença clemente
Num mundo apartado que é demente
Nesse amor singelo que não se encontra
Que no granjear da ventura é afronta
E do filho que nunca foi gerado em ventre
Por imposição de um corpo que doente
Subjuga qual gigante a um mero anão
Quebranta a vida sem verosímil razão
Faça-se luz.
Sobre o espertar de cada novel dia
O olhar indiligente que da face vigia
Nos dias que falecem por pura inação
Qual efeméride muda sem indigitada canção
Nos áridos prados outrora remanso repousante
Depredados pela acridez, sem cor verdejante
E sobre o frescor do singelo ato de folegar
Para que nova diegese possa então germinar
E um sorriso sedutor seja impregnado no vento
Para reempossar na alma o bendito alento
São linhas e linhas de palavras vertidas
Podem ser perversas mas nunca são fingidas
Escritas em clamor por audazes autores
Que narram temores ou os simples amores
Esboços tenazes de júbilo ou melancolia
Provas vivas de clemência ou pura tirania
São linhas e linhas de vocábulos compadecidos
Ditames mudos esperando ser lidos
Bramidos irados para iníqua comunidade
Que bajula o fútil e despreza a verdade
Se oculta do afetuoso e abraça o imoral
No logro edifica seu pecado capital
São linhas e linhas de sentimentos vividos
Transladados na íntegra sem filtros vendidos
Honrados juízos de imparcial fidalguia
Desprovidos de avareza ou simples mordomia
Brados eloquentes para clamar ponderação
Inquietas cautelas de tão justa prevenção
São linhas e linhas de amor voluntário
Na ambição de regenerar penoso fadário
Jorros de alento em almas baralhadas
Diligentes respostas nessas encruzilhadas
Abraços remotos de desvelo secreto
Quando estimada caneta nem sempre está perto
Cada gesto é um solfejar de uma tecla. A mesma que assola a mente em cada fração de tempo em que sentado, tolero um fluir de sentimentos. O olhar permanece calmo e longínquo, perdido entre memórias e sonhos acalentados. A lareira fustiga calor e uma chama alaranjada sendo fiel companheiro duma noite em que as rédeas estão soltas. Cavalgo por planícies verdejantes sem confins ou fronteiras. Respiro proeza e expiro liberdade.
Não tenho regras nem pudores. Escrevo o que me murmuram as paredes, as cores da paisagem urdida ou dum estado de alma. Carrego cada tecla com o amor de quem não sabe mentir sobre o que sente. Sobre o que pensa ou tem ambição de realizar. O teclado segue as minhas ordens sem pestanejar. Escrevo porque me exulta a alma e me jovializa o espirito. Porque viajo por aqui e por ali sem requerer mapa. Porque navego em mundos patíveis ou inóspitos. Escrevo porque tenho a liberdade de eleger a vereda por onde pelejar.
“Da Simplicidade de um Monte” narra a vida de um homem e de uma mulher que nasceram numa aldeia recôndita, perdida no espaço e no tempo, onde o conhecimento chegava tarde e a vida ensinava cedo. Cresceram entre limitações, fome, míngua e um quotidiano áspero que moldou o carácter e feriu o espírito. A dureza do meio rural — a violência doméstica, o abandono, a impetuosidade dos dias — foi-lhes tatuando a pele e a alma, obrigando-os a viver intensamente o filme da própria existência. Unidos pelo matrimónio, enfrentaram um tumulto de acontecimentos que pôs à prova a sua resiliência, a sua fé, o seu amor e a sua capacidade de combate.
Criaram dois filhos, separados por sete anos, e ousaram transmitir-lhes os valores puros e sentidos de quem cresceu num monte inóspito, onde a dignidade era conquista diária. A união e a desunião caminharam lado a lado; a concórdia e a discórdia também. A violência e o divórcio chegaram a pernoitar juntos. Mesmo assim, nunca perderam de vista o sonho de ver os filhos erguerem-se com a dignidade que sempre almejaram. Enfrentaram contendas de toda a ordem — até doenças como o cancro — e resistiram com audácia e bravura, surpreendendo todos com a força que só quem conhece a dureza da terra sabe cultivar. Esta é a história de duas vidas que, embora nascidas num meio desprovido de requisitos, nunca aceitaram que isso fosse impedimento para aprender, ensinar e transmitir os valores mais nobres que podem nortear um ser humano. Uma obra que inspira, motiva e acende a chama de quem enfrenta batalhas semelhantes e procura vigor para continuar.
Impedidos de Amar é um desfilar de emoções cruas, uma narrativa erguida sobre a história verídica da minha família — uma história que o destino decidiu trucidar com a violência de um diagnóstico de cancro, em pleno estado de emergência provocado pela pandemia de Covid‑19. Confinada e privada do amparo dos seus, viveu momentos que nenhum ser humano deveria suportar. O risco de contágio ergueu muros entre ela e o amor dos pais, do irmão, dos amigos. Estávamos tão perto… e, ainda assim, irremediavelmente longe. Sem o beijo. Sem o abraço. Impedidos de a amar.
Durante a quimioterapia, uma reação alérgica brutal obrigou-a ao internamento compulsivo, deixando marcas vigorosas, delapidadoras, que o tempo não ousará apagar. Das lágrimas derramadas, ninguém imagina a vastidão: foram flume de imensidão desaguado em oceano matreiro e mordaz, brotado de olhos plangentes e amantes. Da dor sentida, ninguém imagina o peso: trovão rugidor que rasgou a escuridão e iluminou, por instantes, uma luz que teimava em extinguir-se. Da saudade vivida, ninguém imagina a leveza cinzenta: cinza que esvoaça na aragem do tempo, como vozes escribas que insistem em dizer não, como segundos que se perdem em balbúrdia arredia.
A vida torna-se grosseiramente adulterada quando a realidade se revela penosa e impiedosa. Mudam-se os cursos de água, as nascentes, os capítulos da nossa obra. A peça ganha novo encenador, novo guião. Já não vivemos — sangramos. E cada dia é mais um morrer até sangrar. Quando o sofrimento nos mimoseia com rudeza tão severa e asfixiante, pernoitamos naquele patamar onde as perguntas se apagam, onde não há tempo para enredos divinos. A dor alcança tal magnitude que nos paralisa, e aceitamos, de braços caídos, a vereda que a vida impõe. As lágrimas tornam-se a única forma de eximir a dor. Os sorrisos, meros gestos de cortesia.
“A Última Transgressão” nasce da sombra inevitável da mortalidade — essa presença silenciosa que todos evitamos até ao dia em que ela se impõe com brutalidade. Quando um jovem brilhante vê o seu futuro estilhaçar-se sob o peso de uma doença terminal, inicia-se uma viagem íntima e devastadora ao limite da existência humana. Entre corredores estéreis de hospital, isolamento emocional e uma escrita que se torna refúgio e grito, ele confronta a fragilidade da vida, a injustiça do destino e a urgência de deixar uma marca antes que o tempo se esgote. Despojado das ilusões da juventude, o protagonista reinventa-se num território onde moralidade, desespero e liberdade se entrelaçam.
A doença transforma-se em catalisador de uma rebeldia feroz: um hacker improvável, um Robin dos Bosques digital que, perante a iminência da morte, decide subverter sistemas e redistribuir riqueza àqueles que o mundo esqueceu. O que para uns é crime, para outros é redenção — e o livro desafia o leitor a questionar onde termina a justiça e onde começa a transgressão. Esta não é apenas a história de um cibercrime, nem um drama médico. É uma meditação sobre identidade, finitude e propósito. Uma exploração das zonas cinzentas onde a dor se transforma em criação, onde o niilismo roça o altruísmo, onde a solidão se converte em força disruptiva. No seu ato final — audacioso, controverso e profundamente humano — o protagonista deixa um legado que ecoa para além da própria morte, obrigando-nos a repensar o que significa viver intensamente quando o fim já não é uma abstração, mas uma certeza iminente. “A Última Transgressão” é um convite à reflexão sobre mortalidade, justiça e legado. Uma história que incomoda, inspira e permanece — tal como o espírito indomável de quem, mesmo à beira do abismo, ousa reinventar o sentido da vida.
Momentos eternizados do percurso autoral, contatos com a poesia livre e inspirações pelo mundo.
Material institucional completo para imprensa, eventos, entrevistas e divulgação.
A minha missão nasce do instante em que a alma se desgoverna e me deixa à mercê de emoções que me assaltam, me ferem ou me salvam. Há momentos em que tudo pára — o mundo, o corpo, o tempo — e apenas as minhas mãos continuam, entregues a um impulso que não controlo. É aí que as rédeas se soltam e eu me encontro.
Escrevo porque não sei calar o que me atravessa. Porque as palavras, quando irrompem, são mais verdadeiras do que qualquer gesto. Elas deliram no papel, procuram sentido, procuram‑me a mim. São o meu modo de respirar quando o peito aperta, o meu modo de existir quando a vida pesa, o meu modo de amar quando o silêncio já não basta.
Escrevo porque sim. Escrevo porque preciso. Escrevo porque, quando me abandono às palavras, reencontro a liberdade que tantas vezes me falta. Escrevo por amor — ao que sinto, ao que sou, ao que ainda procuro.
Gabriel Ethan Paz é o pseudónimo de um cidadão português, nascido na cidade de Almada, que fez carreira profissional na Industria Farmacêutica. Desempenhou várias funções de marketing e vendas antes de rumar à carreira internacional onde foi Diretor Geral numa empresa sediada no Caribe.
Licenciado em Gestão de Marketing pelo IPAM, com pós graduação obtida em Bruxelas em Marketing Estratégico, decidiu numa fase da sua vida mais recente não dar seguimento ao MBA, por cansaço académico e motivacional. Preferiu enveredar pela escrita de obras de diversos géneros literários e dedicar o seu tempo a hobbies que foram preteridos como a leitura e a música.
Entusiasta ebuliente da inteligência emocional, não tem receio em expor os seus sentimentos e emoções da forma mais nua e genuína. É apaixonado por animais, pela natureza e pela praia, tendo no mar a sua principal fonte de inspiração e serenidade. Não vive sem a música e o piano o instrumento musical de eleição.
Viajante pelos quatro continentes, deambulou por mais de 67 países e 128 cidades onde experimentou novas culturas e costumes que o converteram numa pessoa mais sábia, mais benévola e discernente do mundo que nos rodeia. E a sua viagem parece não ter ainda findado.
* Fotos das capas e sinopses disponíveis no portfólio deste site.